REALIZADA EM 19 DE SETEMBRO DE 2013.
E desta vez a convidada é alguém muito especial por sua representação no contexto histórico, político e social.
Éricka Huggins, ex-líder do Partido dos Panteras Negras, educadora, poetisa, socióloga e ativista pelos direitos civis (EUA).
Filme sobre Éricka Huggins, legendado pelas estudantes da Universidade Metodista.
Este vídeo está disponível no youtube, mas sem legendas.
Filme "Panteras Negras" - http://www.youtube.com/watch?v=sKuyDdoo3NI
Assistam este filme, nós recomendamos...é emocionante.
Início da palestra com a Éricka Huggins na Universidade Metodista.
"EU VEJO VOCÊ"
Em 01/04/1967, nasceu o “Partido Panteras Negras para a Auto-Defesa", foi um partido negro revolucionário estadunidense, fundado em Oakland, na Califórnia, por Huey Newton e Bobby Seale, com o objetivo de patrulhar guetos negros para proteger os residentes dos atos de brutalidade da polícia. Os “Panteras” tornaram-se um grupo revolucionário marxista, que defendia: o armamento de todos os negros; à isenção dos negros no pagamento de impostos e de todas as sanções da chamada "América branca"; a libertação de todos os negros da cadeia; e o pagamento de compensação aos negros por séculos de exploração branca. Os mais radicais eram a favor da luta armada. No auge do movimento, em meados da década de 1960, os membros dos “Panteras Negras” somavam aproximadamente 2.000 integrantes, passando a contar com sedes nas principais cidades estadunidenses.
Os ‘Panteras Negras” se envolveram em vários conflitos com a polícia nas décadas de 60 e 70, em tiroteios na Califórnia, em Nova Iorque e em Chicago, um desses resultando na prisão de Newton pelo assassinato de um policial. Na medida em que alguns membros do partido eram culpados de atos criminais, o grupo foi violentamente perseguido pela polícia, em algumas vezes por ataques tão violentos que despertou investigações no Congresso Nacional para apurar as atividades da polícia em combate aos “Panteras”. Na década de 70, os métodos do partido sofreram uma grande mudança, a reação armada deu lugar ao fortalecimento de serviços sociais nas comunidades negras e na concentração de uma forte política convencional. Isto se deu devido à perda de muitos membros e líderes de sua organização. Em San Francisco, final dos anos 60, o clima de revolta na comunidade negra de Oakland cresce à medida que a violência da polícia e o desprezo das autoridades se tornam insuportáveis. Para combater a opressão e fazer sua própria justiça, surgem os “Panteras Negras”, um grupo de defesa dos direitos humanos que mudou a cara da América negra para sempre. Durante essas transformações o FBI começa uma campanha para desmoralizar e enfraquecer os “Panteras Negras”, usando a força da mídia e infiltrando drogas em toda a comunidade. Uma luta desigual onde um povo foi traído por sua própria nação. O partido estava efetivamente desfeito em meados dos anos de 1980.
Um pouco da História dos "Black Panters Party" por Éricka Huggins
"Trecho" da Palestra na Universidade Metodista
Diante da brutal violência policial e do Estado ultra-racista norte-americano, o "Partido Panteras Negras", decidiu utilizar-se da Constituição ianque que dava plenos direitos à posse de armas. Os “Panteras” armaram-se e construíram legalmente uma milícia popular de autodefesa. A polícia passou a temer a organização, tanto que muitas vezes evitavam em confrontar-se com ela. A organização miliciana dos “Panteras Negras” foi tão forte que as autoridades americanas decidiram pelo fim da posse de armas no Estado de Oaklahoma, ou seja, pelo desarmamento geral. Resultado: a polícia sentiu-se bastante confortável em aumentar ainda mais a repressão policial sobre a população negra. "7. Queremos o fim imediato da repressão policial e dos assassinatos da população negra. Podemos acabar com a brutalidade policial com a nossa comunidade negra organizando grupos negros de defesa pessoal que se dediquem a defender a nossa comunidade da opressão e da brutalidade da polícia racista. A segunda emenda da Constituição dos EUA nos dá o pleno direito de possuir armas. Portanto, acreditamos que todas as pessoas negras devem ter armas para a sua defesa pessoal.
TODO PODER PARA O POVO
"Trecho" da Palestra na Universidade Metodista
10 pontos do Programa do Partido dos Panteras Negras
O que nós acreditamos.
1- Queremos liberdade. Queremos o poder para determinar o destino de nossa Comunidade Negra. Nós acreditamos que o povo preto não será livre até que nós sejamos capazes de determinar nosso destino.
2- Queremos emprego para nosso povo. Nós acreditamos que o governo federal é responsável e obrigado a dar a cada homem emprego e renda garantida. Nós acreditamos que se o homem de negócios americano branco não nos dá emprego, então os meios de produção devem ser tomados dos homens de negócios e ser colocados na comunidade de modo que o povo da comunidade possa organizar e empregar todas as pessoas e dar-lhes um padrão elevado de vida. 3- Precisamos acabar com a exploração do homem branco na Comunidade Negra. Nós acreditamos que este governo racista tem nos explorado e agora nós estamos demandando a quitação do débito de quarenta acres de terra e duas mulas. Quarenta acres e duas mulas foram prometidos 100 anos atrás em restituição pelo trabalho escravo e assassinato em massa do povo preto. Nós aceitaremos o pagamento em moeda corrente, que será distribuída às nossas muitas comunidades. Os Alemães estão agora reparando os Judeus em Israel pelo genocídio do povo Judeu. Os Alemães assassinaram seis milhões de Judeus. O Racista Americano tomou parte no massacre de mais de vinte milhões de pessoas pretas; conseqüentemente, nós sentimos que esta é uma demanda modesta que nós fazemos.
4- Nós queremos moradia, queremos um teto que seja adequado para abrigar seres humanos. Nós acreditamos que se os senhores de terra brancos não dão moradia descente para a nossa comunidade negra, então a moradia e a terra devem ser transformadas em cooperativas de maneira que nossa comunidade, com auxílio governamental, possa construir e fazer casas descentes para as pessoas.
5- Nós queremos uma educação para nosso povo que exponha a verdadeira natureza da decadente sociedade Americana. Queremos uma educação que nos mostre a verdadeira história e a nossa importância e papel na atual sociedade americana. Nós acreditamos em um sistema educacional que dê a nossos povos um conhecimento de si mesmo. Se um homem não tiver o conhecimento de si mesmo e de sua posição na sociedade e no mundo, então tem pouca possibilidade relacionar-se com qualquer outra coisa.
6. Nós queremos que todos os homens negros sejam isentos do serviço militar. Nós acreditamos que o povo preto não deve ser forçado a lutar no serviço militar para defender um governo racista que não nos protege. Nós não lutaremos e mataremos os povos de cor no mundo que, como o povo preto, estão sendo vitimizados pelo governo racista branco da América. Nós nos protegeremos da força e da violência da polícia racista e das forças armadas racista, por todos os meios necessários.
7. Nós queremos o fim imediato da brutalidade policial e assassinato do povo preto. Nós acreditamos que nós podemos terminar a brutalidade da polícia em nossa comunidade preta organizando grupos pretos de autodefesa que são dedicados a defender nossa comunidade preta da opressão e da brutalidade racista da polícia. A segunda emenda da Constituição dos Estados Unidos dá o direito de portar armas. Nós acreditamos conseqüentemente que todo o povo preto deve se armar para a autodefesa.
8. Nós queremos a liberdade para todos os homens pretos mantidos em prisões e cadeias federais, estaduais e municipais. Nós acreditamos que todas as pessoas pretas devem ser liberadas das muitas cadeias e prisões porque não receberam um julgamento justo e imparcial.
9. Nós queremos que todas as pessoas pretas quando trazidos a julgamento sejam julgadas na corte por um júri de pares do seu grupo ou por pessoas de suas comunidades pretas, como definido pela Constituição dos Estados Unidos. Nós acreditamos que as cortes devem seguir a Constituição dos Estados Unidos de modo que as pessoas pretas recebam julgamentos justos. A 14ª emenda da Constituição dos ESTADOS UNIDOS dá a um homem o direito de ser julgado por pares de seu grupo. Um par é uma pessoa com um acumulo econômico, social, religioso, geográfico, ambiental, histórico e racial similar. Para fazer isto a corte será forçada a selecionar um júri da comunidade preta de que o réu preto veio. Nós fomos, e estamos sendo julgados por júris todo-brancos que não têm nenhuma compreensão "do raciocínio do homem médio" da comunidade preta.
10. Nós queremos terra, pão, moradia, educação, roupas, justiça e paz. E como nosso objetivo político principal, um plebiscito supervisionado pelas Nações-Unidas a ser realizado em toda a colônia preta no qual só serão permitidos aos pretos, vítimas do projeto colonial, participar, com a finalidade de determinar a vontade do povo preto a respeito de seu destino nacional.
Éricka Huggins pergunta:
- Qual é a relevância do partido dos Panteras Negras, quais foram as lições que vocês aprenderam e como isso tem relevância para vocês, aqui no Brasil?
Éricka Huggins pergunta:
- Qual é a relevância do partido dos Panteras Negras, quais foram as lições que vocês aprenderam e como isso tem relevância para vocês, aqui no Brasil?
Trecho final da palestra com Éricka Huggins na Universidade Metodista
Éricka Huggins, com sua simpatia, carisma e dedicação, recebe os estudantes das escolas estaduais e da universidade que participam do PIBID-SOCIOLOGIA e numa atenção especial, se deixa fotografar para que em nossas memórias fiquem guardadas este dia tão especial para todos.
Estudantes da Escola Estadual 20 de Agosto e a equipe do PIBID de sociologia na palestra na Universidade Metodista de São Paulo.
Estudantes:- Lucas Sousa, Lucas Nascimento, Bianca Pavan, Beatriz Borges,Victoria Bueno, Ingrid, Verônica Rodrigues, e Nathalia Lopes.
Pibidianos:- Simone Machado, Elias Nascimento, Andrea Bandeira e Chizlene Batista.
Contexto conjuntural dos EUA – Anos 50 e 60
Pelos anos 50, em pleno pós-guerra, havia um certo sentimento de insatisfação entre os jovens. Nem todos estavam dispostos a assumir os papéis costumeiros na sociedade. Mais especificamente nos Estados Unidos, uma parte dos jovens não tinha interesse em dar continuidade ao estilo de vida medíocre e superficial de seus pais, na qual, a aquisição de coisas desnecessárias era a razão da existência. Eles estavam em busca de uma verdadeira liberdade, de emoções diferentes, sensações novas. Como conseqüência dessa insatisfação e por não acreditarem que as coisas fossem melhorar, “eles mandavam tudo para os diabos”, ficavam "pirados" com álcool ou drogas e botavam o pé na estrada em busca de aventura, viajando de carona através do país, inclusive pela Rota 66. Eles fariam parte da chamada geração "beat", mais tarde batizados de "beatniks". Por possuir uma linguagem muito própria, o movimento beat gerou um estilo de literatura bem particular, caracterizado por uma maneira bem solta de escrever, esquecendo regras, usando gírias e criando termos.
Em San Francisco, já nos primeiros anos da década de 60, a cena começava a se modificar. Como resultado de uma educação liberal, que estimulava a capacidade de expressão, os jovens passaram a ser mais críticos e contestadores, exigindo soluções para os problemas que os rodeavam. Eles acreditavam conseguir modificar a sociedade moderna, criando o paraíso dos sonhos, baseado apenas no amor, na arte, no êxtase. Queriam acabar com a pobreza e o racismo, denunciar a poluição atmosférica, se libertar da inveja e da cobiça. Essa foi à semente do movimento hippie. Os hippies eram uma espécie de "versão em cores" dos beatniks, pois também estavam insatisfeitos com a sociedade, porém, acreditavam em seus "sonhos dourados". Por essa mesma época, existia em San Francisco uma comunidade urbana chamada The Family Dog, que foi responsável por um grande acontecimento: a organização do primeiro baile de rock da cidade, realizado em 16 de outubro de 1965, no Longshoreman's Hall, com quatro bandas locais. Pouco depois desse grandioso evento, San Francisco já estava mudada. O bairro quente deixou de ser o boêmio North Beach, reduto dos beatniks, e passou a ser a área em volta da esquina das ruas Haight com Ashbury, um velho gueto negro que os jovens re-decoraram com cores psicodélicas, incenso, roupas e jóias orientais, criando uma comunidade. No apogeu da comunidade de Haight-Ashbury, a principal droga consumida era o poderoso ácido lisérgico, conhecido como LSD que, apesar de já haver na época registros de inúmeros casos de morte por overdose, o seu uso vinha sendo defendido publicamente por Timothy Leary, entre outros artistas e personalidades.
San Francisco tinha agora o seu som próprio. Eram os “blues” que falavam da dor e davam voz às suas frustrações. Os “blues”, amplificados, elétricos, gritantes, sem polimento, coloridos pelo LSD, acompanhados de luzes e visuais psicodélicos. Ao lado disso, inúmeras filosofias e crenças eram "desenterradas". Velhos ideais de vida comunitária e amor livre coexistiam pacificamente com crenças ancestrais (astrologia, tarô, magia) e com as mais exóticas religiões orientais (budismo, taoísmo), além da revalorização do cristianismo original, expressa nas figuras de São Francisco de Assis e Cristo (começavam a surgir os "Jesus Freaks": jovens que seguiam os ideais de Jesus, aliados à filosofia hippie), lado a lado com rituais primitivos dos índios americanos e dos africanos. Os Hare Krishna também ganhavam força. Havia uma nova indagação para a espiritualidade. Em 1966, com o fim da The Family Dog, os bailes de San Francisco passaram a ser organizados por Bill Graham, dono do Filmore Auditorium, que seria o templo do rock dos anos 60; e por Chet Helms, dono do Salão Avalon e que mandou buscar do Texas a sua velha amiga, até então desconhecida, Janis Joplin, para ser a cantora do conjunto da casa, o Big Brother and the Holding Company. Em pouco tempo, os grupos de rock de San Francisco (que eram pouco mais de meia dúzia) passaram a se multiplicar, chegando, no final de 1966, a aproximadamente 1.500, todos sob a influência do blues.
Em janeiro de 1967 (que ficou conhecido como o ano da flor), os hippies da cidade mostraram sua força ao convocarem uma "Reunião de Tribos" no Golden Gate Park para o chamado World's First Human Be-In, que teve a presença de cerca de 20 mil jovens cantando e dançando, cobertos de flores, de colares e pulseiras de contas. Compareceram também Timothy Leary, o papa do LSD, o poeta Beat Allen Ginsberg, além de outros novos gurus. A partir daí, profetizou-se que 100 mil hippies ou flower children ("filhos da flor", como se intitulavam) invadiriam a cidade de San Francisco em junho, para o chamado Verão do Amor. Uma grande publicidade para o Verão do Amor foi à música "San Francisco", gravada pelo cantor Scott McKenzie. A música, composta por John Phillips (dos, Mamas and Papas), recomendava a quem fosse à San Francisco que não esquecesse de colocar flores nos cabelos. A música se tornaria o hino daquele ano.
Na verdade, os cem mil jovens esperados não chegaram à San Francisco de uma só vez, mas estiveram lá no decorrer daquele verão. Eles exigiam das autoridades casa, comida e assistência médica. Além disso, a Comissão de Parques liberou algumas áreas em torno de Haight-Ashbury para sacos-de-dormir. Da noite para o dia, a cidade ganhou fama (nacional e internacional) de capital mundial. Diante da exploração turística, muitos hippies deixaram Haight-Ashbury e foram viver em comunidades rurais. O que aconteceu naquele verão em San Francisco foi um reflexo do que estava acontecendo, ou iria acontecer, em quase todas as cidades do mundo industrializado. Por essa mesma época, próximo de San Francisco, acontecia o Monterey Pop Festival (16 a 18 de junho de 1967), o primeiro grande festival de rock. Graças à cobertura dada ao festival, os hippies e seus melhores grupos de rock ganharam fama internacional. Embora fossem esperadas 7.100 pessoas, Monterey acabou acolhendo mais de 50 mil, a maioria sem ingresso, mas fiéis ao slogan do festival: "Música, amor e flores". Mais importante do que tudo isso, é que através de Monterey, o mundo assistiu ao nascimento instantâneo de duas estrelas do rock: Janis Joplin e Jimi Hendrix. Mais dois acontecimentos ainda marcariam aquele período. O primeiro foi o lançamento do disco Sergeant Pepper's, considerado o "divisor de águas" da obra dos Beatles. A partir desse álbum, eles abandonavam de vez a imagem de adolescentes e firmavam-se como músicos criativos (parte de sua criatividade era atribuída ao uso do LSD). O segundo acontecimento, também envolvendo os Beatles, foi um especial de televisão transmitido para 200 milhões de pessoas em vários países pelo novo sistema via satélite, onde eles cantaram "All You Need is Love", cuja letra dizia que tudo era possível, desde que existisse amor. Não dá pra esquecer também que, no mesmo 1967, uma banda chamada The Doors, vinda de Los Angeles, formada há dois anos, lançava o seu primeiro disco.
Apesar de caracterizada, principalmente pela busca do prazer, a utopia hippie não deixava lugar para injustiças sociais e opressão. Em novembro de 1967, muitos participaram da Marcha ao Pentágono, que foi um dos maiores confrontos entre estudantes e a força militar. O fato anunciava que o ano de 1968 seria essencialmente político, o que acabou ocorrendo. A insatisfação que existia entre os negros aumentou ainda mais após o assassinato do Reverendo Martin Luther King, em abril, dando força ao “Black Power” e aos “Panteras Negras”, que defendiam a luta armada. Crescia a resistência ao serviço militar e à Guerra do Vietnã. No mundo inteiro eram feitas manifestações nas universidades e nas ruas. Protestos durante a convenção do Partido Democrata em Chicago, se transformaram numa batalha entre jovens e policiais. No verão de 1969, tentando transformar seus sonhos em realidade e pôr a sua utopia em prática, estudantes e voluntários ocuparam um terreno abandonado da Universidade de Berkeley e o transformaram num parque público, com jardins, playgrounds para as crianças, fontes d'água e concertos de rock. Era o “People's Park” (Parque do Povo). Vendo isso como uma ameaça ao sistema, que já se sentia vulnerável, o governador Reagan da Califórnia (anos mais tarde presidente dos Estados Unidos) convocou a polícia e a Guarda Nacional para "resolver" a situação.
Com paus e pedras ou até de mãos limpas, os jovens afrontaram as forças da repressão. O “People's Park” foi arrasado e transformado em estacionamento de veículos. Um estudante foi morto. Sobraram apenas alguns panfletos que os jovens distribuíam, onde eles apresentavam suas propostas ou sonhos? Mas o ano de 1969 seria marcado pelo Festival de Woodstock, o maior de todos os festivais de rock, realizado no fim de semana de 15 a 17 de agosto, um mês depois do homem ter pisado na lua. O evento se chamava Woodstock Music & Art Fair, subtitulado "Primeira Exposição Aquariana". Seu slogan "três dias de paz e música" logo foi modificado para "três dias de paz e amor". O valor do ingresso para o fim de semana era 18 dólares, mas a maior parte do público invadiu o local derrubando as cercas (como pode ser visto no filme "Woodstock" de Michael Wadleigh).
Dia e noite, sob sol ou chuva, a música rolou quase sem parar para meio milhão de jovens, (veja os números de Woodstock) com um “cast” de artistas que formavam um verdadeiro “Quem é Quem do rock”? Na manhã de segunda feira, dia 18 de agosto, sob um imenso sol alaranjado, Jimi Hendrix sobe ao palco, brindando aqueles que ainda não tinham ido embora do local, com sua interpretação do hino nacional dos EUA, "The Star Spangled Banner", arrancando de sua guitarra explosões de bombas, granadas, rajadas de metralhadoras e roncos de helicópteros, numa clara alusão à guerra do Vietnã. Woodstock foi como uma cerimônia de sagração da contracultura. Aqueles que tiveram o privilégio de viver o festival de perto, saíram sentindo-se ungidos de santidade. Ainda haveriam outros festivais (como o de Altamont, com 300 mil pessoas), mas nenhum com a força de um Woodstock.
Woodstock parecia uma antevisão da utópica sociedade hippie. A engrenagem social era bem mais complexa do que se podia imaginar, mas, no final de tudo, apesar do sistema tentar "devorá-los", o mundo nunca mais seria o mesmo. Na medida em que ia absorvendo todas as novas idéias, o próprio sistema também se modificava. A geração que acreditou ser capaz de parar uma guerra e mudar o mundo, deixou uma semente que acabaria sendo lançada aos quatro ventos, indo refletir-se nos lugares mais longínquos do globo. Uma nova moral, uma nova ética, novos valores haviam sido cultivados na cabeça das pessoas, graças àqueles jovens dos anos 60. Essa semente está presente ainda hoje dentro de cada um que se permita sonhar e acreditar na realização de seu sonho. Aliás, o sonho não acabou.
" (Programa dos Dez Pontos do “Partido Panteras Negras”, por Black Panther 21/10/2005).
Programa dos 10 pontos do “Partido Panteras Negras de Auto-Defesa”
“Um: Queremos liberdade para determinar o nosso destino”;
“Dois: Queremos empregos para nosso povo”;
“Três: Queremos o fim da exploração da nossa comunidade negra”;
“Quatro: Queremos paz e moradia decente para seres humanos”;
“Cinco: Queremos o poder dos negros para os negros. Todos falam o que é preciso para erguer a raça”;
“Seis: Queremos os negros isentos do serviço militar”;
“Sete: Queremos o fim imediato da violência e racismo contra os negros”;
“Oito: Queremos liberdade para todos os negros”;
“Nove: Queremos o governo nas nossas mãos. Isso é que significa, ‘todo poder ao povo’;
“Dez: Todos unidos – todas as raças, todas as cores: poder branco aos brancos, poder vermelho ao vermelhos, poder marrom aos morenos, poder amarelo aos amarelos, poder negros aos negros...
FONTES
FILME: Panteras negras. Direção: Mario Van Peebles. Vencedor do Leopardo de Prata no 18º. Festival de Lucarno – Suíça.
FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES. Em 1º. Abril de 1967, nascia o partido ‘panteras negras’. Disponível em: http://www.palmares.gov.br. Acessado em: 20/03/2008, às 17h34.
PANTHER, Black. “Lembremos dos panteras negras: armamento geral da população para a autodefesa”. Disponível em: http:// midiaindependente.org. Acessado em:20/03/2008, às 17h29.
UNIVERSIDADE METODISTA: Curso de Ciências Sociais-EAD.
WIKIPEDIA. “Panteras negras”. Disponível em: http://pt.wikipedia.org Acessado em: 20/03/2008, às 17h35.







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